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Por Ricardo Lima
O Brasil iniciou testes para produzir ímãs de alta potência com terras raras extraídas e processadas no próprio país. A iniciativa busca estruturar uma cadeia produtiva nacional completa, do minério ao produto final de alto valor agregado, reduzindo a dependência de insumos importados e ampliando a capacidade tecnológica brasileira, segundo o portal G1.
Os testes foram viabilizados com a entrega de 20 quilos de carbonato de terras raras pela mineradora Meteoric Resources ao Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras (CIT Senai ITR), em Lagoa Santa (MG). O material foi obtido por lixiviação de argila iônica coletada no Planalto Vulcânico de Poços de Caldas, em planta piloto da empresa, que investiga o potencial mineral da região e aguarda licenciamento para instalar uma mina.
De acordo com o coordenador do CIT Senai ITR, André Luis Pimenta de Faria, a entrega do material representa um avanço concreto para o desenvolvimento tecnológico nacional.
“Com essa remessa, o projeto passa a ter a oportunidade de trabalhar com matéria-prima de origem nacional nas etapas de obtenção de óxidos puros de terras raras, redução para metal, produção de liga e fabricação de ímãs de NdFeB (neodímio-ferro-boro)“, destaca..
“Isso […] permite validar, em escala piloto, a rota tecnológica utilizando terras raras brasileiras“
André Luis de Faria – Coordenador do CIT SENAI ITR
A entrega integra um acordo de parceria de cinco anos firmado entre o centro tecnológico e a Meteoric em 2024.
Projeto busca cadeia produtiva completa
O CIT Senai ITR é considerado a primeira fábrica de ímãs permanentes da América Latina e integra o projeto MagBras, aliança que reúne empresas, startups, centros de inovação, universidades e instituições de pesquisa. O objetivo é estabelecer uma cadeia produtiva completa de terras raras no país, desde a extração mineral até a fabricação do ímã final.
Esses materiais são essenciais para motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones, computadores, equipamentos de ressonância magnética e sistemas industriais de automação.
Desde sua inauguração, em 2025, o centro também recebeu amostras de óxidos puros provenientes de ímãs reciclados no exterior e derivados de minério nacional. Paralelamente, o laboratório continua utilizando material importado da China enquanto o Brasil não consolida a produção em escala industrial.
Segundo Faria, a importação ainda é necessária para garantir a continuidade das pesquisas.
“O que está sendo construído neste momento é a base tecnológica e industrial para que, no futuro próximo, o país possa transformar seus próprios minerais estratégicos em produtos de alto valor agregado, como os ímãs permanentes utilizados em motores elétricos, geração de energia e mobilidade elétrica”, disse.
Qualidade mineral
De acordo com a Meteoric, análises do carbonato produzido na planta piloto indicam alto teor de terras raras no material extraído do Planalto Vulcânico de Poços de Caldas.

Carbonato de terras raras. Crédito: Meteoric Resources / DIvulgação.
O diretor executivo da empresa, Marcelo Carvalho, destacou a eficiência do processo e o potencial do depósito brasileiro.
“A gente pega uma argila que tem 0,4% de terras raras e transforma num carbonato que é 98% de terras raras. A qualidade do carbonato que nós estamos gerando mostra que o Planalto de Poços de Caldas é um dos melhores depósitos do mundo. A gente está atingindo recuperações que vão até 78%, 79%. A maioria das minas no mundo tem uma recuperação de 50%”, afirma.
O próximo desafio da empresa é desenvolver a etapa de separação dos minerais a partir do carbonato, ampliando o avanço da cadeia produtiva nacional.
“Nos comprometemos com os governos federal e estadual e vamos iniciar o processo de estudos usando nosso carbonato. Uma das importâncias de realizar os estudos de separação é dar mais um passo e, quem sabe, o resto da cadeia também não se desenvolva e a gente venha a produzir ímãs no país”, disse Carvalho.
O executivo afirmou, durante o evento Future Minerals Summit em Brasília, realizado no dia 25 de fevereiro, que vê uma oportunidade de tornar o Brasil uma alternativa sustentável no fornecimento de terras raras em relação à China, onde, segundo Carvalho, a exploração de terras raras ocorre “de uma forma nada sustentável”:













