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Por Ricardo Lima
Após anos de disputa judicial e política com o governo venezuelano, a Gold Reserve Ltd. voltou ao centro das atenções do mercado internacional. A prisão de Nicolás Maduro, no fim de semana, reacendeu as expectativas da mineradora de retomar projetos estratégicos de ouro e cobre confiscados pelo Estado venezuelano, avaliados em dezenas de bilhões de dólares.
A companhia, de maioria acionária norte-americana, afirmou através de comunicado que os ativos foram ilegalmente expropriados e que a nova conjuntura pode abrir caminho tanto para indenizações bilionárias quanto para um eventual retorno às operações no país.
Apoio à ação dos Estados Unidos e denúncias contra o governo
Em comunicado oficial, a companhia manifestou apoio explícito às ações recentes dos Estados Unidos. A Gold Reserve afirmou que “aplaude as ações recentes na Venezuela do presidente Trump, de sua administração e das Forças Armadas Conjuntas dos Estados Unidos para levar Nicolás Maduro à justiça”.
A empresa reforçou seu histórico no país sul-americano. A Gold Reserve destacou que possui “uma longa trajetória na Venezuela, tendo desenvolvido os maiores depósitos de ouro e cobre da América do Sul”, mas que acabou tendo seus ativos tomados pelo Estado. Segundo a companhia, “o desenvolvimento de Brisas foi ilegalmente expropriado pelo regime de Chávez, e a joint venture Siembra Minera foi ilegalmente expropriada pelo regime de Maduro”.
A mineradora afirma ainda que esses projetos “estão atualmente sendo minerados ilegalmente, com o uso de tecnologia chinesa, sob a direção do Cartel de los Soles, uma organização narcoterrorista designada, para benefício financeiro do regime de Maduro”.
Apesar do tom otimista, a Gold Reserve admite que ainda não há condições objetivas para prever um retorno imediato às operações. “A situação no terreno na Venezuela permanece dinâmica e, como resultado, não podemos fornecer qualquer orientação neste momento aos nossos acionistas sobre quando, ou se, poderemos retornar às nossas propriedades venezuelanas”, afirmou a empresa.
O comunicado acrescenta que a companhia se compromete a atualizar o mercado “à medida que as informações se tornarem disponíveis” e ressalta que possui “os meios e a fortaleza necessários para retornar à Venezuela”, colocando-se à disposição para “trabalhar com todas as partes legítimas” na transição pós-Maduro, com foco na recuperação do país e na promoção da paz e da prosperidade.
O texto também traz denúncias diretas contra o antigo governo. De acordo com a empresa, “o regime de Maduro cometeu crimes horríveis contra o povo da Venezuela”, incluindo a prisão de um funcionário da companhia. O comunicado afirma que José Ignacio Moreno Suarez, representante da empresa no país, é um preso político, mantido “falsamente encarcerado, sem julgamento por dois anos e meio, suportando tortura contínua e condições deploráveis”.

Paul Rivett. Imagem: Gold Reserve / Reprodução.
Para o vice-presidente do conselho, Paul Rivett, a mudança no cenário político representa uma inflexão histórica. “O regime de Maduro foi autorizado por tempo demais a usar opressão, encarceramento, violência e morte contra o povo da Venezuela, inclusive contra pessoas que trabalhavam para a Gold Reserve no país”, declarou. Ele acrescentou que a empresa espera “fazer sua parte para ajudar no retorno da paz e da prosperidade na Venezuela e na liberação imediata de José Ignacio Moreno Suarez”, concluiu.
Histórico de expropriações
A Gold Reserve operava na Venezuela dois grandes projetos minerais: Brisas e Siembra Minera. O primeiro foi confiscado ainda durante o governo de Hugo Chávez; o segundo, sob a gestão de Nicolás Maduro. O depósito de Brisas, considerado um dos mais relevantes da América do Sul, concentra cerca de 10 milhões de onças de ouro, avaliadas em aproximadamente US$ 44,4 bilhões com base nos preços atuais do metal.
Reação do mercado e expectativas futuras
O impacto dos acontecimentos foi imediato no mercado financeiro. De acordo com a revista Exame, as ações da Gold Reserve chegaram a subir mais de 90% em um único pregão, praticamente dobrando de valor, em contraste com a reação moderada observada em outros ativos globais após a intervenção norte-americana.
Ainda segundo a revista Exame, investidores passaram a reavaliar o risco associado a empresas com disputas históricas na Venezuela, apostando que uma nova configuração política possa viabilizar o cumprimento de sentenças arbitrais bilionárias. Em 2012, o ICSID, órgão do Banco Mundial para resolução de disputas sobre investimentos, determinou que a Venezuela pagasse cerca de US$ 740 milhões à Gold Reserve pela expropriação do projeto Brisas.













