sexta-feira, 12 abril, 2024
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Garimpo no Brasil se concentra na Amazônia

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Novos dados do MapBiomas revelaram um rápido crescimento do garimpo no Brasil em 2022, com uma expansão de 35 mil hectares em apenas um ano, equivalente ao tamanho de uma cidade como Curitiba. Essa tendência preocupante continua a se concentrar principalmente na região da Amazônia, que deteve 92% da atividade de garimpo no país em 2022. Alarmantemente, quase metade (40,7%) da área garimpada nesse bioma foi aberta nos últimos cinco anos.

Uma descoberta preocupante dos pesquisadores foi a presença significativa do garimpo em áreas protegidas, onde essa atividade é ilegal. Isso inclui locais como os Parques Nacionais do Jamanxin, do Rio Novo e da Amazônia no Pará, a Estação Ecológica Juami Japurá no Amazonas e a Terra Indígena Yanomami em Roraima. Mesmo áreas que eram garimpadas há mais de 20 anos, como as três primeiras mencionadas, tiveram um crescimento substancial nos últimos 10 anos. A área garimpada na Esec Juami Japurá tem menos de cinco anos, enquanto a expansão na TI Yanomami ocorreu exponencialmente nos últimos 10 anos.

César Diniz, coordenador técnico do mapeamento de mineração do MapBiomas, destaca a surpreendente persistência desses garimpos em áreas onde a atividade é proibida, sugerindo apoio econômico e político contínuo.

O crescimento do garimpo em áreas protegidas é particularmente impressionante, com um aumento de 190% na área ocupada em territórios protegidos nos últimos cinco anos. Em 2022, mais de 25 mil hectares em Terras Indígenas (TIs) e 78 mil hectares em Unidades de Conservação (UCs) estavam ocupados pelo garimpo, em comparação com 9,5 mil e 44,7 hectares, respectivamente, em 2018. Cerca de 39% da área garimpada em todo o Brasil estava localizada em TIs ou UCs em 2022.

Garimpo no Brasil

Dentro das Terras Indígenas, as áreas de garimpo em 2022 eram 265% maiores do que em 2018, com quase dois terços (62,3%) da área garimpada nessas terras abertas nos últimos cinco anos. As TIs mais afetadas pelo garimpo incluem Kayapó, Munduruku, Yanomami, Tenharim do Igarapé Preto e Sai-Cinza.

Nas Unidades de Conservação, 43% da área garimpada foi aberta nos últimos cinco anos, com destaque para a APA do Tapajós, Flona do Amaná, Esec Juami Japurá, Flona do Crepori e Parna do Rio Novo.

Além das preocupações ambientais e legais, o garimpo também tem sérios impactos, incluindo o assoreamento dos rios e a contaminação de suas águas. As bacias mais afetadas pelo garimpo incluem Tapajós, Teles Pires, Jamanxim, Xingu e Amazonas, representando 66% da área garimpada no país.

Por outro lado, a mineração industrial não apresentou crescimento significativo na área ocupada, mantendo cerca de 180 mil hectares em 2022, em comparação com 443 mil hectares em atividades de mineração em todo o Brasil. Os estados do Pará, Mato Grosso e Minas Gerais são os principais locais de mineração, com o garimpo predominando no Pará e Mato Grosso, enquanto Minas Gerais concentra a mineração industrial.

Itaituba, no Pará, é o município com a maior área minerada no Brasil, com 71 mil hectares, seguido por Jacareacanga (PA) e Peixoto de Azevedo (MT). Nestes dois últimos municípios, não foi identificada atividade minerária industrial; toda a área é ocupada pelo garimpo.

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