Comente, compartilhe e deixe sua opinião nos comentários! Sua participação é essencial para enriquecer o debate
Por Ricardo Lima
Durante o primeiro dia (13) do Future Minerals Forum (FMF), em Riad, na Arábia Saudita, foi lançado o Future Minerals Barometer, um instrumento global pioneiro destinado a medir e acompanhar o desenvolvimento das cadeias de valor de minerais críticos. A ferramenta estabelece, pela primeira vez, uma linha de base abrangente sobre como governos, empresas e investidores estão avançando na construção de cadeias de suprimento minerais mais resilientes, responsáveis e sustentáveis. Informações segundo o portal Mining Weekly.
Desenvolvido em parceria com a McKinsey & Company e especialistas do setor, como S&P Global Market Intelligence, Global AI e GlobeScan, o barômetro integra dados de mercado, evidências em nível de projetos, inteligência setorial e a percepção de diferentes stakeholders em uma única plataforma. O objetivo é orientar a tomada de decisões globais em um momento de forte crescimento da demanda por minerais estratégicos.
“Ao integrar dados de mercado, percepções dos stakeholders e indicadores da cadeia de valor, o barômetro oferece às empresas um roteiro estratégico para navegar em um ambiente volátil e destravar crescimento de longo prazo”,
Jeffrey Lorch, sócio da McKinsey & Company.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), no cenário de emissões líquidas zero, a demanda por minerais críticos pode crescer 250% até 2030, com os veículos elétricos respondendo por cerca de 40% do consumo global de elementos de terras raras.
“É o primeiro esforço global para aferir a prontidão dos ecossistemas de minerais críticos diante do crescimento acelerado da demanda por mobilidade elétrica, energias renováveis, infraestrutura digital e aplicações em defesa”, afirmou o vice-ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita, Khalid Al-Mudaifer.
Segundo ele, trata-se do primeiro esforço global para avaliar a prontidão dos ecossistemas de minerais críticos diante da expansão da mobilidade elétrica, das energias renováveis, da infraestrutura digital e das aplicações em defesa.
“Super-região” de minerais críticos é o foco do barômetro
Os dados iniciais do Future Minerals Barometer revelam mudanças significativas nos fluxos de capital e na percepção de risco. Nos três primeiros trimestres de 2025, as fusões e aquisições globais no setor de mineração somaram cerca de US$ 30 bilhões, sendo 74% do valor concentrado na América Latina. Desde 2021, os negócios na região cresceram mais de 200%, enquanto a África registrou uma queda de 79% no valor das transações no mesmo período.
“Esses dados oferecem um retrato de como capital, risco e confiança estão moldando os mercados globais de minerais críticos”, destaca o relatório do FMF. “Eles mostram onde o investimento se concentra, onde recua e a crescente distância entre a dotação mineral e a alocação de capital.”
Esse movimento ocorre apesar de a chamada “Super Região”, que engloba África, Ásia Ocidental, Ásia Central e América Latina, concentrar mais de 50% das reservas globais de minerais críticos, mas apresentar o menor nível de gastos em exploração no mundo.
Para Chris Coulter, CEO da GlobeScan, a ferramenta evidencia tanto oportunidades quanto desafios. “A Super Região tem um enorme potencial, mas enfrenta obstáculos complexos. Os habilitadores identificados mostram como enfrentar esses desafios respeitando suas particularidades.”
Minerais no centro da transição energética e digital
O barômetro é sustentado pelo Future Minerals Framework, um arcabouço estratégico desenvolvido desde 2023 com a contribuição de mais de 130 especialistas de 42 países, incluindo governos, organismos multilaterais, ONGs e empresas de mineração. O framework identifica sete habilitadores essenciais para destravar o potencial das cadeias de valor minerais: políticas e regulação, financiamento, infraestrutura, sustentabilidade, talentos, tecnologia e geologia.
Líderes da indústria ressaltaram a urgência de garantir o suprimento sustentável de minerais críticos como lítio, cobre, níquel, cobalto, manganês, silício e terras raras, fundamentais para veículos elétricos, energias renováveis, armazenamento de baterias e infraestrutura digital.
“Não é possível descarbonizar, computar ou transmitir energia sem mineração”, afirmou Robert Friedland, fundador da Ivanhoe Mines e da Ivanhoe Electric. Já o CEO da Anglo American, Duncan Wanblad, alertou: “A demanda global por cobre deve crescer 75%, chegando a 56 milhões de toneladas por ano até 2050. Para atender a esse volume, será necessário colocar em operação cerca de 60 novas minas do porte de Quellaveco apenas na próxima década.”
Gustavo Pimenta, CEO da Vale, reforçou a dimensão sustentável do setor. “Não consigo imaginar um futuro sustentável sem mineração. De unidades de processamento de inteligência artificial a baterias de carros elétricos e turbinas eólicas, tudo depende de minerais estratégicos.”














