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Especialistas debatem potencial do Brasil para produção de fosfato

Nos últimos dois últimos anos, o mercado global de fertilizantes vem enfrentando desafios, como a interrupção da cadeia de suprimentos e alta nos preços, motivadas pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia. A China também impôs uma política de restrição às exportações para proteger seu mercado doméstico. No ano passado a China reduziu em 50% os embarques de fertilizantes fosfatados para o Brasil.

Como o Brasil é um grande produtor e exportador de commodities agropecuárias e muito dependente de fertilizantes estrangeiros, o cenário internacional acende um alerta. Importamos cerca de 75% do fosfato utilizado para nutrição de plantas e animais. O que torna o país refém da turbulência geopolítica e volatilidade dos preços.

No entanto, somos um grande produtor e consumidor mundial de rocha fosfática, que é usada para fabricar fertilizantes fosfatados e produtos industriais.

Neste contexto, especialistas brasileiros e estrangeiros estão em Caldas Novas (GO), participando do primeiro Congresso Brasileiro de Fosfatos, que reúne pesquisadores, profissionais, representantes do governo e do setor produtivo para debaterem experiências e troca de conhecimento.

“Preparamos um evento com palestras, sessões técnicas, minicursos para criar um fórum permanente sobre fosfato”, disse na abertura do evento, André Carlos Silva, professor da Universidade de Catalão.

Silva faz parte da comissão organizadora do evento e coordena o Laboratório de Modelamento e Pesquisa em Processamento Mineral, ligado a universidade.

Felipe Coutas, country manager da Itafos, empresa de fosfato e fertilizantes especiais listada na bolsa de Toronto (TSX-V: IFOS), no Canadá, que atua em Tocantins, Pará e Minas Gerais, disse que o congresso é fundamental para debater pontos importantes sobre o fosfato produzido no país.

“Temos que investir cada vez mais em P&D. É uma oportunidade ímpar em conversar com pesquisadores, empresários e governo”, disse executivo, que destacando ainda o potencial brasileiro para produção de fosfato. A Itafos quer incentivar o crescimento desse mercado”, disse.

Lívia Parreira, coordenadora-geral do Plano Estadual de Recursos Minerais, que está sendo formatado pelo governo de Goiás, participou também da abertura do Congresso, representando o secretário de Indústria e Comércio, Joel Braga.

Ela destacou a importância do evento e frisou que Goiás vem trabalhando para promover a aproximação da comunidade acadêmica com o setor produtivo.  Disse ainda que exemplo desse diálogo foi a elaboração do plano, em fase de finalização.  Ela adiantou que ainda que neste semestre a proposta será enviada para Assembleia Legislativa do estado.    

 “O plano busca agregar setor produtivo, academia e governo. Para que juntos possamos avançar, dando a mineração, o valor que ela merece. E o fosfato é um mineral estratégico para Goiás, para o Brasil e para o mundo. O que seria do agro sem o fosfato? Estamos aqui para fortalecer. E os resultados do nosso plano estadual, é justamente programas específicos de apoio a centros tecnológicos, a pesquisa avançada,” explicou Lívia.

Elementos de terras raras em rejeitos de Fosfato 

O primeiro  dia  do Congresso  teve ainda palestra  do pesquisador Jinrong Patrick Zhang, do Instituto de Pesquisa Industrial e de Fosfato da Flórida (EUA), que falou sobre   tecnologia avançada na exploração do fosfato como fonte não convencional para terras raras.

Patrick é responsável por avaliar propostas de pesquisa e gerenciar projetos de beneficiamento e mineração de fosfato. Sua função envolve identificar necessidades de pesquisa e desenvolvimento sobre fosfato.  

Patrick comentou sobre estudos que estão sendo conduzidos pelo instituto para separar elementos de terras raras de rejeitos de fosfato nos Estados Unidos. Ele afirmou que dados obtidos mostram que é possível fazer essa separação e recuperação por gravidade, utilizando uma centrifuga decantadora e assim obter um concentrado de elementos de terras raras.

O pesquisador explicou que o fluxo de processo  desse sistema permite a recuperação de quase 100 % dos elementos de terras raras em rejeitos. E que o produto final é um oxido de terras raras. Agora segundo Patrick, o instituto está em busca de recursos para financiar uma planta de testes em escala industrial.

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