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Por Ricardo Lima
A incorporação de práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) pela mineração brasileira pode adicionar R$ 399 bilhões anuais à economia e elevar em 20,81% a atividade do setor, segundo o estudo Impact Edge, da EY-Parthenon.
O levantamento indica também a criação de mais de 3 milhões de empregos, a redução de 19,52 milhões de toneladas de CO₂ e a preservação de 4,8 trilhões de litros de água, além de avanços em diversidade e impactos positivos na saúde pública.
Apresentado durante a COP30, em Belém, o estudo aponta que os efeitos econômicos do ESG extrapolam o desempenho das próprias empresas. Os ganhos estimados, de R$ 399 bilhões anuais, equivalem ao PIB da Bahia em 2022. A adoção das práticas também poderia gerar mais de 3 milhões de postos de trabalho, número próximo ao da população de Alagoas, e abrir 7.152 vagas afirmativas em posições de liderança.
Segundo o relatório, a contribuição do setor hoje já é relevante. Em 2024, a mineração registrou PIB de R$ 290,6 bilhões, o que representou 2,67% da economia nacional.
Os impactos ambientais também são destacados. A análise estima que iniciativas ligadas à redução de emissões, eficiência energética, gestão hídrica e manejo de resíduos evitariam 19,52 milhões de toneladas de CO₂ e preservariam 4,8 trilhões de litros de água. No campo social, práticas mais estruturadas poderiam evitar 93.056 internações por ano, economizando R$ 47,77 milhões ao Sistema Único de Saúde.
Para Elanne Almeida, Líder Global de Sustentabilidade para Mineração e Metais da EY, o setor atravessa um ponto de inflexão.
“A mineração brasileira vive um momento decisivo. Temos a oportunidade de deixar para trás uma visão arcaica de que o setor estava fundamentalmente vinculado a riscos ambientais e sociais”, afirma.
Segundo ela,
“A transição já começou — e os resultados mostram que é plenamente possível conciliar competitividade econômica com responsabilidade ambiental e inclusão social”.
Elanne Almeida – Líder Global de Sustentabilidade para Mineração e Metais da EY (Ernst Young)
Oportunidades e desafios da transição sustentável
A EY destaca que a mineração ocupa posição estratégica para a transição energética e digital, sendo o Brasil o segundo maior produtor mundial de minério de ferro e um dos principais fornecedores globais de minerais e terras raras.
Para Almeida, a adoção de critérios ESG deixou de ser apenas uma obrigação regulatória. “O compromisso com práticas ESG passou a representar uma nova forma de operar”, diz. Ela afirma que medidas como redução de emissões, eficiência hídrica e energética e melhor gestão de resíduos “mostram que investir em sustentabilidade é uma decisão estratégica cujo valor extrapola os típicos indicadores ESG”.
O estudo também aponta desafios persistentes: gestão de recursos hídricos, descarbonização de processos intensivos em energia, segurança de barragens e rejeitos e governança socioambiental. A necessidade de maior transparência e rastreabilidade nas cadeias de suprimentos também permanece no centro do debate.
“Essas dinâmicas vêm redefinindo as prioridades de investimento no setor”, afirma Almeida. “Modelos antes focados em conformidade deram lugar a estratégias de criação de valor compartilhado. O Impact Edge demonstrou que esse impacto é muito maior do que se conhecia”, conclui.













