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Empresas gigantes investem em mineração em meio a alta das commodities minerais

25 ABR 22

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  • Empresas gigantes investem em mineração em meio a alta das commodities minerais

Divulgação/JBS

O mercado nacional de mineração ganhou dois participantes de peso: a holding J&F e a Cosan.

Conforme noticiado pelo Minera Brasil, a empresa dos irmãos Batista e dona da JBS – uma das maiores indústrias de alimentos do mundo – comprou empresas de minério de ferro, minério de manganês e logística que compõem o Sistema Centro-Oeste da Vale em Corumbá (MS), com produção atual de 2,7 milhões de toneladas de minério de ferro. O valor do negócio foi de US$ 1,2 bilhão.

Já a Cosan estreou no mercado de mineração em agosto ao comprar por R$ 720 milhões o porto de São Luís (MA) também para investir em mineração.

De acordo com fontes ouvidas pelo Valor Econômico, ambas as empresas estão dispostas a investir pesado no setor de mineração. A J&F, por exemplo, quer se tornar um grande player com a “JBS da mineração”. Segundo uma fonte anônima, a aquisição dos ativos da Vale “foi o primeiro passo” para isso,

Outra fonte disse ao Valor que a J&F considerou a compra um bom negócio. Afinal, grande parte do US$ 1,2 bilhão atribuído aos ativos se refere a contratos de “take-or-pay” firmados com a Hidrovias do Brasil até 2039.

Ou seja, os Batista terão que desembolsar, na prática, cerca de R$ 1 bilhão. Além disso, ao fechar o negócio, a dona da JBS pretende elevar os ganhos na operação, o que pode incluir um aumento de produção.

“Vamos analisar crescimento em todos os negócios adquiridos, incluindo, mas não se limitando a mineração”, disse uma das fontes.

Da mesma forma, a Cosan também quer se posicionar como uma empresa de destaque no setor. Embora os planos sejam mais antigos, foi em agosto de 2021 que a empresa fechou a compra do terminal portuário da chinesa CCCC para integrar serviços de mineração e logística.

A empresa também firmou uma parceria com o fundador da Aura Minerals, Paulo Brito, para começar a explorar minério no Pará, mas a parceria ainda está se desenhando. A ideia de Brito é produzir cerca de 10 milhões de toneladas por ano a partir de 2025.

“O projeto contará com a consolidada expertise do grupo no setor de logística (ferroviária e portuária) e de parceiro estratégico, com a ambição de se tornar um ‘player’ relevante do setor nos próximos anos”, disse a Cosan em nota.

De acordo com a sócia da Deloitte Brasil, Patricia Muricy, responsável pelo mercado de mineração, o alto preço das commodities minerais deve atrair outros players:

“Esse movimento representa também uma oportunidade para as grandes mineradoras que querem e que precisam reorganizar seu portfólio, focando em ativos de maior performance, menor impacto socioambiental, menor pegada de carbono, muito em linha com os compromissos públicos assumidos referentes ao ESG.”

Outras fontes ouvidas pelo Valor concordam com Muricy e acreditam que a alta deve ativar também projetos que estavam em stand-by, atraindo investidores.

Como exemplo, as fontes citaram a mineradora Bamin, na Bahia, que estaria buscando um investidor financeiro para seu projeto, que, segundo a empresa, é de grande porte e de relevância para a Bahia. Isso porque a iniciativa envolve a Mina Pedra de Ferro, em Caetité, a construção do Porto Sul, em Ilhéus, e o trecho 1 da ferrovia Fiol

“São projetos de grande porte, que despertam interesse de parceiros diversos, com os quais a empresa estará sempre aberta para conversar.”

Segundo José Carlos Martins, sócio da Neelix Consulting & Metals, no mercado de minério de ferro, o grande desafio para novos players é definir o tamanho do negócio. Ou seja, se quer ser grande e produzir mais de 20 milhões de toneladas por ano ou se quer ter menor porte e vender a produção para Vale ou CSN, por exemplo.

“No Brasil há pelo menos uns 20 projetos que aguardam oportunidade de sair do papel. Espaço há no mercado, neste momento. Fatores críticos são os que apontei, além do cenário de demanda, e preços, que devem ser considerado”, afirma o consultor.

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