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Brasil mira demanda global por minerais estratégicos

16 JUN 22

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  • Brasil mira demanda global por minerais estratégicos

A delegação brasileira que está na Conferência da Prospectors & Developers Association of Canada (PDAC) está buscando investimentos no setor mineral do país, sobretudo em minerais ligados à transição energética e à descarbonização.

O Brasil está atento à demanda global por minerais, como níquel, lítio e cobalto, que deve se expandir significativamente nas próximas décadas, como ficou claro nas conversas durante a PDAC. No evento, investidores, executivos e funcionários do governo se reuniram para discutir os rumos da mineração no mundo.

Sobre o assunto, Marcos André Gomes Veiga Gonçalves, presidente do Conselho Superior da ADIMB, que coordena a participação do Brasil no PDAC em parceria com o governo brasileiro, entidades do setor e empresas de mineração, destacou:

“Esse foi um PDAC de retomada e o Brasil teve uma participação de destaque com o Brazilian Mining Day, mostrando ao mundo a variedade de commodities que temos, como ferro, ouro, níquel e lítio. Nosso estande no PDAC foi bastante movimentado, recebendo centenas de visitantes.”

Conforme informou Gonçalves, a delegação brasileira foi composta por 80 membros, que apresentaram aos investidores internacionais oportunidades para novos negócios no setor mineral do país, principalmente, com relação a minerais ligados à transição energética e descarbonização.

O executivo ressaltou também que a presença de grupos de investimento de capital brasileiro na conferência chamou a atenção. Isso porque essa presença não era comum em eventos anteriores. Segundo ele, esses grupos de investimentos estão baseados no Brasil e também no exterior e estavam no PDAC avaliando oportunidades de negócios.

Além dos minerais estratégicos, o evento também abordou temas como desafios decorrentes das cadeias de suprimentos globais restritas e os impactos persistentes da covid-19 nas operações de mineração.

De acordo com Alex Christopher, presidente do PDAC, a perspectiva global para minerais de transição energética, como cobre, níquel e lítio para baterias, foi um dos focos dos debates:

“A transição não pode ser realizada sem os minerais e metais necessários para facilitar a eletrificação e construir a infraestrutura necessária para tecnologias de baixo carbono. E eles estão ligados à exploração e mineração, disse.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), Luis Maurício Azevedo, o Brasil possui grandes depósitos de metais básicos, como cobre, níquel e zinco, e também depósitos de ouro.

“Todos eles são produtos de exploração da década de 80 e 90, com exceção do projeto da Bemisa. O que mostra o potencial de crescimento, sem contar que esses projetos terão a capacidade de atrair muitas empresas de serviço, treinamento e conhecimento do subsolo do país.”

Brazilian Mining Day 

O primeiro  dia  da participação do Brasil no PDAC começou  com  a delegação  brasileira  na abertura do pregão  da bolsa canadense, a Toronto Stock Exchange  (TSX). Em seguida,  foram realizados dois  painéis, o primeiro  foi coordenado  pelo  diretor de exploração da Vale, Edson Ribeiro.

Na ocasião, ele abordou os projetos de exploração mineral brasileiros  como motores da transição para energia limpa no mundo. Além disso, representantes da Centaurus Metals e Latin Resources falaram sobre respectivos empreendimentos. Já o SGB/CPRM deu ênfase ao projeto de minerais estratégicos. 

O segundo painel foi coordenado pelo presidente da ABPM. Ele debateu os projetos de exploração mineral em estágio avançado no país, com cases de empresas brasileiras e internacionais que recentemente reportaram investimentos em projetos de exploração em diferentes províncias minerais no Brasil.

Os CEOs de empresas como Aura Minerals, Hochschild, Meridian Mining, Oz Minerals, BEMISA e Alvo Minerals traçaram planos para investimentos futuros tanto para aumentar as reservas dos projetos existentes e seu potencial quanto para se tornarem minas operacionais no futuro próximo. 

Já o segundo dia do Brazilian Mining Day começou com diversas apresentações para investidores.

Pedro Paulo Dias Mesquita, Secretário Geral de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, destacou os avanços implementados pelo governo brasileiro rumo a investimentos sustentáveis no setor de mineração.

Já Flávio Mota, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), falou sobre as soluções de crédito para mineração sustentável.

Márcio José Remédio, diretor de Geologia e Mineração do Serviço Geológico do Brasil, apresentou as estratégias e prioridades dos programas de mapeamento geológico, levantamentos geofísicos e geoquímicos, além de minerais de transição energética e agrominerais.

Enquanto isso, Guilherme Gomes, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostrou os avanços regulatórios no setor mineral brasileiro, que estão abrindo caminho para investimentos no país. 

O primeiro painel do Brazilian Mining Day do dia 14 foi coordenado pelo diretor do IBRAM, Paulo Henrique  Soares. Ele abordou as oportunidades e desafios de investimentos em projetos minerais no Brasil

Frederico Munia Machado, do Programa de Parcerias de Investimentos do governo brasileiro, coordenou o último painel que tratou da perspectiva do setor mineral privado sobre projetos minerais no país. Essa sessão contou com apresentação de Mike Hodgson, da Serabi; Julio Cezar Souza Santos, da Nexa, e Makko De Filippo, Ero Copper.

Sandro Mabel, do Comitê de Mineração da Confederação Nacional da Indústria e presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) falou sobre novas fronteiras para investimentos. Mabel explicou que a mineração é uma atividade econômica presente em 40% do país, mas que ainda está concentrada em poucos bens minerais nos Estados de Minas Gerais e Pará. Por isso, é preciso diversificar o portfólio de commodities para outros estados.

Com o tema “Brasil – World Class Exploration Opportunities”, foi inaugurado, na manhã do dia 13 de junho, o pavilhão do Brasil na convenção PDAC. A inauguração reuniu membros da delegação brasileira no evento e de empresas com atuação no Brasil. O estande, com 90 m2, foi um espaço de referência que proporcionou aos representantes governamentais e empresariais uma excelente infraestrutura de apoio para contatos comerciais e realização de negócios

A agenda do Brasil durante o PDAC 2022 está sob coordenação da Agência de Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB), com apoio do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), da Associação Brasileira de Pesquisa Mineral  e Mineração (ABPM) e a Câmara de Comércio Brasil – Canadá (BCCC – Toronto).

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